sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espetáculo com calças de helanca e botas prateadas

Ontem, dia 11, estreou mais um musical na cidade de São Paulo e, talvez, um dos mais esperados, o Mamma Mia!.
No último dia 7, aconteceu a avant primière, no Teatro Abril. Tudo parecia estar fadado a se transformar em um decepcionante domingo, com a interrupção de uma hora por problemas técnicos. Mas esse pequenos imprevistos, que sempre correm o risco de acontecerem, não foram capazes de estragar toda a energia e alegria que o espetáculo emana.
Logo antes de começar, uma voz surgia, em algum lugar, advertindo às pessoas com nervos abalados, que fazia parte do figurino as calças de helanca e botas prateadas, o que poderia ser um indício do quão se divertiriam com o que viria a seguir.
O elenco é de fazer o cenário dos musicais brasileiros se sentir com muito orgulho, com a presença de Kiara Sasso (Bela e a Fera, Miss Saigon, O Fantasma da Ópera, A Noviça Rebelde), Saulo Vasconcelos (O Fantasma da Ópera, Bela e a Fera, Aida, Les Misérables), Cleto Baccic (marcado pela representação de Rum Tum Tugger, em Cats) e Rachel Ripani.
O cenário do espetáculo é simples, prático, original,com muitas cores e efeitos luminosos, bastando msomente aquilo para passar o espírito grego que a história merece.
O musical que é o número 1 do mundo, como diz o banner e os críticos, é baseado nas músicas do Abba. Original de Londres, é apresentado também na Broadway, onde faz o seu maior sucesso, além de Japão, Austrália, Coreana e a internacional, esta que iniciou ontem no Brasil.
Tanto no espetáculo quanto no filme, estrelado por Meryl Streep, Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Colin Firth, entre outros, as músicas do grupo sueco se encaixam no enredo da história. E quando Pati Amoroso, que faz muito bem o papel de Sophie Sheridan, começou a cantar “I Have a Dream” traduzido para o português, pode ter causado para muitos, como causou a mim, o receio de que a tradução das músicas poderia ter apagado o encanto que estas têm, mas ledo engano, já que as letras foram perfeitamente traduzidas, de forma que mantiveram o mesmo significado das originais e conseguiram manter a mesma sincronia.
A história é de uma jovem prestes a se casar, que tem o dilema de descobrir, entre três homens, quem é o seu pai. De tão trágico é cômico. E humor é o que não falta na peça, fazendo com que todos riam, cantarolem e dancem em seus lugares.
Ao final, a vontade de que o show não acabe é latente. E para isso há a despedida mais alegre dos musicais, os atores fazem um pout pourri do Abba, no qual toda a plateia levantou, dançou e cantou.
O espetáculo é mais divertido que o filme, mas para quem ainda não viu este e queira assistir antes de ver o musical, vale a pena, já que ambos são muito fieis ao enredo original.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Da primeira base ao playlist.

Há uma banda que poderia descrever bem o começo desse post, os Stray Cats:
''Há um som louco que envia minha alma'' (trecho de Rockabilly Rules)
Porém eu não falo de uma vertente de Rockyabilly, mas posso citar que há uma grande influência de ícones conhecidos como Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis nesses três 'brotos' do 'THE BASEBALLS'.


Pode-se dizer que esse é um som retrô com a face da modernidade, afinal do 'namoro entre o blues e o country' temos a veia Rock'n'Roll adicionada a uma mistura de cultura pop. Como isso ocorre? Repare nesse vídeo:

Essa é uma música da Katy Perry que ganha uma versão muito bem arranjada e cheia de estilo, por esse trio de amigos de Berlim. Eles trabalham com grandes hits da atualidade que sofrem mutações e ganham esse jeito de cinquentista, que toca nas melhores vitrolas, fazendo garotas balançarem seus vestidos rodados e as jaquetas de couro de seus namorados a dançar a noite toda. Sem dúvidas, são além de engraçados são SURPREENDENTES, já que poucas bandas conseguem transmitir a sensação de se ouvir uma versão e não reconhecê-la facilmente. Nesse caso as músicas dos rockers da atualidade são primorosas.

Vale a pena escutar:

I'm Yours - Jason Mraz


Poker Face - Lady Gaga


Umbrella - Rihanna



Obs. Os créditos para o conhecimento dessa banda vai para a outra autora desse blog: Carol Saccardo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Procura-se um guitarrista-base. Não é necessário ter talento".

A declaração acima pode não surtir efeito se você não é guitarrista ou julga-se um ‘mito’ das seis cordas. Retirada dos classificados da ‘Creem Magazine’ de Nova York, nos áureos anos 70, este ‘anúncio’ se tornou um dado de relevância para os meros adeptos de uma rockeiragem ‘clássica’ e fãs dos Ramones. Afinal se Douglas Glen Colvin, vulgo Dee Dee Ramone não tivesse sido ‘reprovado’ para essa banda, talvez SHEENA¹ não seria tão Punk Rock e JUDY² também. E você pode se perguntar ‘mas quem recusou o ícone do shortinho Malibu?’

O TELEVISION uma banda que como outras nasceu de uma amizade e se uniu a um sonho adolescente.

Tudo começou quando Tom poeta, quieto, arredio e Hell briguento, drogado, e poderia se considerado como o típico punk americano, se encontraram em Nova York e decidiram que teria uma banda a ‘Neon Boys’, que com menos de um ano deixou de existir. Depois de muitas desavenças com ex-intregrantes, se formou enfim o TELEVISION que era o diferencial da cena musical daquele período. Enquanto todos baseavam em riffs básicos e canções curtas, eles produziam canções complexas, longas e com letras diferentes.

“Eu me lembro que após audição com o grupo, Tom ficou irritado com a minha inabilidade de executar os acordes que eu pedia. Ele e Hell eram muito sérios e eu não era bom o suficiente para a banda. Acabei sendo dispensado", lembra Dee Dee.

O nome da banda não poderia ser mais sugestivo seus membros diziam a ‘televisão’ (tradução exata do nome da banda) era uma coisa que estava em todos os lares americanos. E foi realmente isso que aconteceu, se tornaram cada vez mais mais populares. Por onde passavam até mesmo Patti Smith se rendeu as graças dos garotos de Delaware, “A guitarra dele (Tom) reproduz o mesmo som de mil pássaros berrando” ressaltava a poetisa. Em 1974 se apresentaram no ‘santuário Punk Rock’ o CBGB, com a casa lotada. "O CBGB foi especial. Era o local onde tudo acontecia e as bandas queriam se apresentar. Mas nós éramos únicos. Eu tinha certeza que éramos o melhor grupo do planeta, pelo menos nos nossos primeiros cincos meses" - afirmou Hell.

Com a gravadora Elektra lançaram ‘Marquee Moon’ um marco para a cultura underground, considerado um dos discos mais importantes do CBGB, depois de ‘Horses’ de Patti Smith. Foi aclamado mundialmente por seu entusiasmo e sonoridade de suas guitarras. Em maio, fizeram shows com ingressos esgotados pela Inglaterra e foram eleitos como a banda mais promissora pela Melody Maker e o melhor disco pela Sound. O sucesso chegara ao grupo. Após duas semanas de lançamento o disco pulara da 81ª posição nas paradas inglesa para a sétima.

Após o sucesso, Tom ficou empolgado e tentou fazer um segundo disco mais elaborado. Apesar de boas críticas Adventure não empolgou tanto quanto o antecessor e logo em seguida a banda acabaria. Verlaine e Lloyd começaram então carreiras-solos nos anos 80, até uma volta nos anos 90. (como diz a coluna MOFO do Beatrix)

O que é difícil de se entender em tudo isso é o por que de uma banda tão boa não ter atingido as gerações, eles nasceram do mesmo berço dos Ramones, Dead Boys, Patti Smith, Blondie etc. Mas são pouco conhecidos na atualidade.

Porém é fácil perceber as influências quem eles deixaram em bandas como The Strokes, Interpol, The Subways, entre outras.

Se analisarmos a musicalidade deles, encontraremos MUITAS outras bandas que bebem na fonte dos ‘televisores’, existem dezenas de músicas que nos remetem a base dos clássicos de ‘Marquee Moon’.



¹ Ouça “Sheena is a Punk Rocker – Ramones”

² Ouça “Judy is a Punk – Ramones’’


ps. esse post foi feito pela autora em http://allaboutrock.wordpress.com/

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cobertura Política (parte II), os perigos das pesquisas

            A cada dois anos o país encontra-se na situação de eleger algum candidato político. E para que cada um conquiste seu público uma de suas armas legais é a campanha eleitoral, mas isto não é suficiente para os eleitores realmente saberem quem escolher. Para isso muitos fazem uso das pesquisas eleitorais, que podem ser mais influentes que muitas campanhas ou notícias divulgadas.
            A problemática é que dependendo da forma como são empregadas, tanto pela mídia como pelos partidos, podem servir de ajuda para as decisões eleitorais ou atrapalhá-las. Talvez um dos motivos que prejudique suas melhores utilizações esteja relacionado ao fato que muitos confundem suas principais funções. Tal como qualquer outra pesquisa, essas também devem ser vistas como um guia, que exemplifica fatos e opiniões com a finalidade de poder ajudar a esclarecer dúvidas sobre o tema proposto, mas, na verdade, elas são utilizadas como forma de opinião para eleitores, sem antes estudá-las e averiguá-las, já que estas têm seus os seus dados sujeitos à mudanças e podem conter desvios..
            Elas só são usadas dessa forma errônea, por causa da credibilidade criada pelos institutos e reforçadas pelos meios de comunicação. As pesquisas de “boca de urna”, feitas no dia da eleição, procuram confirmar as informações que os institutos divulgaram ao longo das campanhas, além de antecipar os resultados das eleições, persistindo no fato de que estão certos. Acreditar que são infalíveis em relação ao que divulgam é benéfico no âmbito da propaganda das instituições como empresas, outro motivo para fazerem uso dessa tática de marketing.
            Os meios de comunicação utilizam a imagem conquistada por estes institutos, ambiciosamente, para matérias e manchetes com o objetivo de ganhar audiência e venda de exemplares, fazendo de uma procura de opiniões incertas em uma formulação de resultados concretos. Juntos, os dois supõem precipitadamente que todos os eleitores têm a mesma formação opinativa e o mesmo nível instrutivo. Ou seja, não gera preocupações de que um mesmo resultado gere reações e interpretações diferenciadas em parcelas variadas da população.
             Como elos de uma corrente, os problemas criados pela cobertura eleitoral levam a alguns agravantes. Um deles é o aumento da desigualdade entre os candidatos, visto que nesta eleição pouco (ou nada) se ouve falar dos presidenciáveis que não sejam os três primeiros colocados nas intenções de voto. Quantas vezes achou-se na mídia algo sobre os candidatos Zé Maria, Ivan Pinheiro, Rui Costa Pimenta, Eymael ou Levy Fidelix? Com certeza deve ser grande o número de pessoas que creem ter apenas Serra, Dilma e Marina na disputa para Presidente da República. Esses que constituem tal opinião não têm um conhecimento muito abrangente sobre política e, como a maioria dos brasileiros, não se interessam por tal assunto, portanto se apoiam nas pesquisas, uma vez que estas são infalíveis em suas mentes. Um exemplo de que elas podem ser desiguais e, portanto, influenciáveis são as últimas divulgadas pelo Datafolha e pelo IBOPE, que mostram a porcentagem dos três primeiros colocados.
            Essas atitudes geram prejuízos aos candidatos que estiverem em desvantagem, antes mesmo de alguma votação ser feita. Além de trazer a vitória precipitada ao melhor qualificado. Por outro lado, os que não recebem tanta atenção, correm risco de perderem partidários, votos e ainda financiadores, que procuram investir em quem tem mais chances. Portanto, gera a desqualificação de um concorrente, cuja reversão não é possível.
            Entretanto, as coberturas são de muita valia. Se para os candidatos de menor atenção elas podem se tornar armas contra a sua candidatura, para os que estão na maior disputa pelos votos ela é sinônimo de auxílio. Nos partidos elas são de extrema utilidade para compor as campanhas políticas, unidas às pesquisas qualitativas, favorecem a elaboração de melhores propagandas eleitorais. Afora isso, servem como base para um conhecimento maior dos opositores e fornecem certas informações como argumentos na disputa.
            São ainda importantes por comprovarem, por meio dos resultados, uma eleição mais justa e limpa, evitando fraudes políticas. Apesar de poderem agir nos eleitores “volúveis” e/ou naqueles que querem fazer o uso do voto útil, e acabar com a eleição no primeiro turno, são de igual relevância para o exercício da democracia, pois seus defensores consideram que em uma eleição há outros meios de induzir alguém. Mas com as pesquisas isso vai além, informam, tem caráter civilizatório e ainda fazem com que haja reflexão, aumento da criticidade e desconfiança, até mesmo com as suas informações.
            As pesquisas eleitorais são como uma faca de dois gumes, pois o que para alguns os fatores podem ser desvantajosos, para outros são benéficos. O que falta ao país é saber interpretá-las, para que elas não nos induza e sim que a induzamos.

OZ é aqui!


A fantasia infantil dá um sentido real a tudo, passando a acreditar em sonhos mirabolantes, é como se nosso mundo fosse tão fantástico quanto Oz, e por mais que nos falte a famosa estrada dos tijolos amarelos, a neblina age como encanto que venda nossa visão e não nos faz perceber o lado original das coisas, a ordem natural e as transformações que o homem faz para se beneficiar. Só o tempo nos faz perceber como somos semelhantes ao homem de lata que não sofre, mas tanto as influências externas, e que a verdadeira beleza está no que somos, na coragem do espantalho que tem uma essência espetacular que não é nada comparável aos olhos azulados pra menina Doroty. Será que todos nascemos com a semente da diferença plantada em nós ou a plantam sem que possamos perceber? E a cada dia ela é cultivada por uma cultura e um entretenimento distorcido?
A possibilidade existente é de que somos frutos de uma geração que necessita ser definida e que se torna um enlatado na prateleira, que necessita de uma identificação. Será que continuaremos apenas a ser a primeira pessoa do plural? Um sujeito de ambos os gêneros ou um regime de pronomes? Enfim, com o passar dos anos nos tornaremos como a noz que é fruta seca portadora de uma só semente, de aroma muito agradável, mas com aparência diferenciada das outras sementes, com a casca mas rugosa e forte, de coloração mais escura, das demais que em maioria são coloridas?
Como um nó em laço de corda, entre extremidades que passam uma pela outra, apertando-se com o preconceito que tenta nos diminuir mas, menor que o próprio sonho, já não pode ser. Como borboleta que fase a fase se transforma e logo pode voar, deixando para trás as barreiras que TENTAM fazê-los perder o controle. Que seja! Mesmo que a maré não esteja ao favor de quem avança, perceber que muitos lutaram dia após dia sem se preocupar com o que os outros pensariam, alcançaram o objetivo de serem autênticos e originais, sem se deixar abalar por pontos negativos, clamar por paz ou se trancando atrás das portas de um mundo que o aplaudia, dizendo: Parabéns, você desistiu!
Não preciso de subcelebridades, de pessoas renomadas e muito menos de quem não entende os reais desejos e problemas de uma vida comum, eu quero mais, eu gosto de gente que não se abala cor críticas e que não se ilude com elogios. Os grandes personagens da vida estão aqui no final desta rua, na padaria da esquina ou até mesmo no passado de sua família. Corra atrás e não os deixe passar!
-Acredito que esta é a minha vez de jogar, Oz é aqui!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cobertura Política, a protagonista das eleições.

Há um número relevante de eleitores que ’escolhem’ seus candidatos sugestionados apenas pelas informações passadas pela propaganda eleitoral, que por sua vez pode ser utópica. Com grandes tramas, passados sofridos, ‘gente como a gente’ que hoje estão no poder, tentam nos ludibriar com promessas num atraente formato conhecido, um ‘folhetim político’. Onde existem protagonistas e antagonistas, já que a imprensa trata a disputa como se existissem apenas três participantes, sendo que o clímax da maioria do conteúdo é realizado pelos dois primeiros colocados dessa lista. Há também a típica mitificação dos mocinhos e vilões, que marcam os novos capítulos dessa história com acusações sua conduta política, moral e ética. Por outro lado, é uma das maneiras de exemplificar o plano de governo que poderá ser exercido. A desvantagem é que os outros cinco presidenciáveis se tornam figurantes de tudo isso, com pouco tempo para difundir sua ideologia e planos, que se tornam desconhecidos ao grande público. A realidade do jogo é a manipulação de dados e a distorção de biografias.

Atualmente os quadros de campanha presidencial são estáveis, José Serra (PSDB) vinha ‘vencendo’ as equilibradas pesquisas de intenção de votos desde meados de 2009 com seus 39%* contra 37%* de Dilma Roussef e 8%* de Marina Silva. Mas há cinco meses vem caindo nas pesquisas, enquanto Dilma que era uma desconhecida do público como ministra da Casa Civil e possuía uma imagem rude, Serra era popular por sua carreira de ex-ministro da saúde e governador, o que nunca o intitulou um‘candidato do povo’, como nosso atual presidente que possui um forte apelo popular. Ao lado da candidata petista Lula ajuda muito a coligação a obter votos, com a ideia de que Dilma será a mãe que o país tanto carece e até ousando dizer que ela é a melhor candidata para a continuação de seus projetos. Algumas revistas e jornais por mais fiéis que tentem ser fazem suas escolhas, mas omitem seu engajamento, entretanto subentendidamente estampam suas preferências, deixando a imparcialidade em segundo plano, como no caso de uma determinada revista que trazia uma foto de Dilma semelhante ao quadro Madona, de Da Vinci.

O trabalhar da imagem de um candidato pode ser algo fundamental, um exemplo a ser citado pelo poder de uma boa veiculação é o caso da candidatura de Fernando Collor, que em 1989 após o regime ditatorial pela primeira vez concedia o direito ao voto popular, o que gerava um entusiasmo formidável. Todos queriam se informar e debater. Collor por sua vez, apesar de jovem já era um veterano político, sua imagem estava ligada ao passado como ‘caçador de marajás’, já que afirmava perseguir funcionários públicos com altos salários, exterminar a corrupção e recusava desperdiçar verbas públicas. Algumas mídias e governantes não poupavam elogios, diziam votar nele por quê essa seria a ‘nova cara do Brasil’. De acordo com o conhecimento histórico, sabemos que nada disso ocorreu que imagem transmitida era incoerente.

Os marqueteiros são figuras indispensáveis contratados pelos partidos para produzir um material convincente, fabricam imagens e conduzem conteúdos. Por isso, devemos procurar meios imparciais e informações com credibilidade, se é que eles existem. Mesmo que visão mais comum seja de que a mídia impressa ou eletrônica são geralmente parciais em suas coberturas e quase sempre favorecem candidatos ligados aos interesses de grupos econômicos dominantes. Uma das melhores ferramentas utilizadas na cobertura é sem dúvidas, a internet que capacita a os eleitores a terem uma visão geral dos acontecimentos e também possibilita um contato com seus projetos, o que consegue retirar ‘figurantes’ do anonimato, como ocorreu com o candidato José Maria Eymael (PSDC), que por dias permaneceu nos ‘Trending Topics’ (assuntos mais comentados) da rede social twitter, a mesma estratégia do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Sendo que Eymael também é um dos pioneiros a criar conteúdos online para sua divulgação.

Contudo devido ao zelo pela imagem e com o uso de novas mídias os números se invertem, Dilma alcança 50%** das expectativas, Serra possui 28%** e Marina obteve um crescimento de 2% alcançando os 10%**. Muitos acreditam que isso ocorre devido à divulgação da quebra de dados sigilosos da Receita Federal de alguns dos familiares do candidato do PSDB, falta de segurança nos dados do Imposto de Renda é que deveria ser o centro do escândalo, com a punição severa para os responsáveis. Mas não parece haver interesse no esclarecimento desses fatos, e sim na repetição contínua de declarações. Porém o diálogo entre o PT e a oposição apresenta característica quase plebiscitária e acaba colocando em segundo plano suas diferenças ideológicas, o que prejudica a avaliação.

Enfim, diante de uma cobertura que não condiz com a devida imparcialidade necessária devemos nos informar o suficiente para votarmos com consciência.

*Fonte: (em 30/06/10) http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=1037 Considera-se a margem de erro é de 2% para mais ou menos.

**idem: ( em 03/09/10)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Reflexão à francesa

Há 221 anos uma sociedade francesa composta por camponeses, baixa burguesia e trabalhadores encontrava-se insatisfeita pela situação política atual. Como forma de mostrar o desagrado resolveu no dia 14 de julho de 1789 fazer uma “rebelião”, que mais tarde ficaria marcado para o resto da história como “A Queda da Bastilha”, e por consequência o início da Revolução Francesa. Com certeza, a monarquia não podia esperar que esta rebeldia feita pelas pessoas que tinham apenas 20% da renda da França (mas que totalizava como 80% da população) poderia resultar na sua queda e tornar-se um pontapé para a liberação do regime absolutista que a Europa se encontrava. Vale lembrar que eles não eram providos de grandes conhecimentos e também não tinham a facilidade e a quantidade de informações resultantes do aumento da globalização. O que os fizeram transformar de forma radical o governo que tinham fora somente o descontentamento da vida que levavam, a noção que do jeito que estavam vivendo não podia continuar da mesma maneira. Provaram que, antes de tudo, não importa o conhecimento intelectual, mas que todos podem lutar por seus direitos, principalmente numa procura de democracia a necessidade de todos devem ser atendidas de forma equilibrada.
Mesmo depois de mais de dois séculos pode-se dizer que os franceses não se acomodaram em se orgulharem apenas dos antepassados, mas que ultimamente eles ainda vêm buscando melhores formas para os seus direitos e lutando por sua democracia. E é o que vem acontecendo desde junho, por todo o país franceses estão fazendo por meio de greves e passeatas seus protestos contra o governo e há várias razões para tal. Nicolas Sarkozy já é conhecido pelo mundo inteiro por suas opiniões xenofóbicas, que descontenta aqueles que querem tirar esta imagem de sua nação e, obviamente, apoiado por outros que apóiam tais medidas.
No momento, as atuais reivindicações foram motivadas pela decisão do presidente de elevar a idade da previdência, passando de 60 para 62 anos, pelos problemas de deportação de emigrantes, além da acusação de corrupção do ministro do Trabalho. Na última terça-feira (6), mais de 2,5 milhões de pessoas foram às ruas por todo o país mostrando os mais variados desagrados que sentem em relação ao seu governo. O resultado? Ontem o Parlamento europeu suspendeu a deportação do povo roma (como são conhecidos os ciganos na França), em um mês mil ciganos foram mandados para Romênia e Bulgária, e decorrente das passeatas o Estado decidiu adiar o caso da previdência, mesmo ainda mantendo-a em vigor.
Por outro lado, basta olharmos pro Brasil nesta atual época de campanha eleitoral, em que tanto o atual Presidente como os presidenciáveis deveriam servir de exemplos pelas ações que fizeram e pelas quais desejam fazer, é praticamente inadmissível que surja um escândalo sobre a quebra de sigilo da Receita Federal. Como um órgão do governo de extrema importância, que até  há mês era sinônimo de seriedade, sigilo e segurança para todos os brasileiros, já que uma de suas funções está relacionada com o cuidado da administração federal e, para isso, tem o direito de manter acesso às contas fiscais de todo contribuinte. Igual à todos os outros órgãos, a Receita é um espelho do governo que a administra, portanto se temos este descuido, o que será das outras problemáticas do país?
Novamente estamos presenciando a mesma atuação do Presidente como no caso do mensalão, em 2005. Ele afirma que não é tão sério quanto a mídia divulga e que isso não passa de um sensacionalismo da oposição, como ele mesmo disse no programa eleitoral da Dilma, seu adversário “partiu para a baixaria”. Oras, mas não seria mesmo uma “baixaria” o que está acontecendo? Ao invés do Lula fazer um programa dele, junto com o ministro da Fazenda, divulgando para todos os meios de comunicação o seu parecer, se desculpando e mostrando alguma solução para o ocorrido, assim como todo presidente que se preze faria em respeito às pessoas que o colocaram no patamar mais alto do poder político, ele preferiu lançar um vídeo em defesa de sua candidata que, aliás, não tem voz nem imagem de possível eleita para o cargo, já que não aparece nos debates para nos mostrar quem de fato ela é.
Isto não é um texto anti-petista, mas sim uma reflexão ao que o próprio Presidente da República pediu para que sua nação fizesse: “abrir os olhos”. Pois será que essa quebra de sigilo fora somente com pessoas coligadas ao PSDB, ou há muito tempo infratores vêm invadindo contas fiscais de muitas outras pessoas? Isso é um problema que os eleitores não estão pensando, apenas aceitam o que o “semi-democrático” da Silva diz.
Por isso, às vezes, unir-se e sair às ruas não passe de uma loucura, mas apenas uma forma de demonstrar o que não lhe agrada na atual situação. Tomemos um exemplo a França, não porque ela é um país europeu e vive no primeiro mundo, mas sim porque ela fez uso justo e verdadeiro da democracia, não a exercendo apenas na hora de votar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O ON/OFF da programação

"Diariamente depois de um árduo horário de trabalho Marisa*, 37 anos, repousa no aconchego de seu sofá e espera para que o mundo lhe seja apresentado pela tela de seu televisor, adquirido com muito esforço graças a boas condições parcelamento. Enquanto prepara o jantar segue a assistir o primeiro folhetim do dia, divide sua atenção entre as cenas, os atores que já são como parte da família, suas novas experiências cotidianas e aos deleites de uma alimentação calórica. Em meio a noticiários, outros folhetins, mais informação e ao grande show de seu descanso, ela se desliga da realidade quando liga o televisor.''

A realidade das famílias brasileiras basicamente em momentos de ócio é retratada dessa maneira, após exaustivas oito horas de trabalho, um lar para cuidar e experiências para dividir, não há quem ouse se entreter com uma programação de qualidade. A abstinência rápida de sua realidade em doses diárias é o calmante da realidade, a programação dirigida a esse público acalma e não alerta suas contra-indicações.
Os canais de televisão aberta são cientes do desejo da sociedade em se abster da realidade e se projetar em novas perspectivas, por isso, investem muito nesse paraíso ilusório. Deixam de lado todo o caráter cultural e educacional que poderia ser veiculado, para ‘entreter’ o público com os velhos chavões que nada possuem de surpreendentes.
Mas isso é um fator muito antigo, que data do começo do século XX, se analisarmos os estudos do filósofo, psicanalista e professor universitário, Renato Mezan com base nas teorias freudianas sobre a cultura e que citam opiniões como a de Adolf Loos, com a qual percebemos que a cultura moderna tem consciência dessa falsidade essencial, mas necessita da superficialidade para manter-se alheia a seus próprios problemas. Como também ocorria em Viena, Itália no final do século XIX, já que todo o foco cultural estava voltado para o teatro de ópera que maquiava a sociedade frívola e antiquada, em relação aos pólos culturais como Berlim e Paris. Para essa sociedade os palcos ditavam ordem e etiqueta, eram tidos como um público exigente que não aceitava se quer ‘’um ator fanhoso ou um violinista desafinado’’. Entretanto, isso só significava uma recusa a imperfeição. Hofmannsthal Broch afirma que essa reação age como um ‘’um espelho mágico, removedor de rugas e cravos, que reenvia ao público uma sua própria imagem transfigurada, como se dissesse a eles que tudo isso não passa de uma mera encenação dramática. ’’ Atualmente essa característica leva o nome de ‘fotoxopização’ da realidade.
Sendo assim, se repararmos a identificação projetiva que os telespectadores tem em relação aos que estão sobre os holofotes, percebemos um desejo incondicional estético pelo ideal do ego, que em transmissões televisivas tomam proporções faladas e visíveis. Desconectados de suas próprias vidas acabam por viver de um primitivo sistema de pão e circo. Esquecem de seus problemas, de sua nação e não lutam por causas plausíveis, mesmo tendo ferramentas de formação em suas mãos, podem criticar, mas não o fazem, preferem continuar sentados e permanecendo com sua realidade editada. Diante de todo um vazio ético, tornasse difícil não ser atingido pelos mísseis midiáticos que são depositados em nossas casas. Não há como fugir! Mas existe a possibilidade de questionar tudo o que não esta correto ao seu ponto de vista, a dualidade da visão do observador pode fazer muita diferença. Que haja mudança e que comece por mim. Se somos capazes de produzir conteúdo virtual, também podemos realizar escolhas melhores.
Com o toque de um botão se pode desmascarar todo a epopéia de uma minoria elitizada. O poder esta em suas mãos!
*nome fictício

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Bom dia Sr. Ali Enado,



Hoje somos um ser frente ao monitor, ligado a milhares de pessoas sobre as quais muitas eu nem sei o nome, especulam nossas vidas de todas as maneiras possíveis, sabem muito mais de nós do que nós propriamente dizendo. Agora, ‘nós’ no sentido literal da coisa, somos apenas a terceira pessoa do plural ou muito mais? Pode parecer loucura da minha parte, uma crise existencial, um surto psicótico, que seja! Não importa o que vale é a veracidade dos fatos! Claro, que existem milhares de pseudo-intelectuais que estudam causas e acabam se julgando superiores por conhecerem muitas formas de expressar o sentido da palavra ‘nós’ além dessa que vem impressa nos dicionários que costumamos utilizar nos tempos de colégio. Se orgulham tanto, mas não fazem a mínima idéia de que ‘quem se define, se limita’ (tudo bem que essa frase vem sendo banalizada por muitos, mas é fato) se trocarmos algumas letras podemos ver muitas outras faces de nós mesmos. Não! Eu não estou ficando louca. Por exemplo se eu substituir a letra ‘S’ por uma letra ‘Z’, teremos NOZ, isso mesmo, noz aquela espécie de fruta que temos em nossas mesas nas festividades natalinas, mas ‘o que isso tem a ver comigo e com vc?’ A Noz é uma fruta que demora anos para ser colhida, se uma noz é plantada hoje somente a próxima geração virá olhe-la, ela pode não ser a mais bela das ‘frutinhas’ mas é sobre sua casca rígida que se esconde um sabor inigualável, e é assim que devemos ver a vida. De que vale a beleza se falta o conteúdo? Não vamos ser hipócritas, beleza é importante, é fato, mas não é o essencial. Beleza atrai mas conteúdo convence! Afinal, belas molduras não mudam quadros ruins. Agora se observarmos a ortografia podemos notar de maneira subliminar que existe um ‘OZ’, sim como em O mágico de ‘OZ’, se analisarmos os fatos percebemos que toda a história é voltada para uma bela garotinha perdida num mundo de fantasias e do desencontro de seus amigos. Muitas vezes nos perdemos em nosso ‘mundinho’ e não sabemos como prosseguir, ficamos confusos e perdemos a direção, e na nossa história não há um ‘Homem de Lata’ ou um ‘Espantalho’, há sim amigos que com as dificuldades estarão sempre ali para lhe estender a mão quando vc cair. Isso tudo vai muito mais além ‘N’ da enésima fração algébrica que pode representar a todos os números não especificados e ‘z’ a ultima do alfabeto, simboliza que tudo tem um fim até as centenas de letras que vem expressas nesse texto e em milhares de outros.

Nós, eu, vc, ele e todos esses que estão espalhados por aí, estamos aqui, ali por um motivo específico, um sonho idealizado ou algo que nem ao menos imaginamos, mas estamos aqui para uma causa, seja ela qual for, alguns nascem para amar alguém com todas as forças, outros para fazer os outros rirem, outros para serem exemplos…

Eu? Eu não acertei no amor (até agora), consigo algumas risadas, exemplo? HAHAHAHAHA Faça-me o favor, mas acho que nasci para escrever e ver pessoas como vc fazendo essa cara aí do outro lado! Talvez lá na frente eu volte aqui e diga qual o motivo da minha existência, sendo mais descritiva e exata. Enquanto isso continuo assim, lendo muito, escrevendo bíblias que a maioria das pessoas que vem aqui nem lêem o primeiro parágrafo, passando horas conversando com amigos e mil coisas que fazem parte desse meu dia-a-dia.

TALVEZ VC NÃO PENSOU QUE JÁ PASSOU DA HORA DE SER MAIS NA MULTIDÃO, siga seu coração, mas use essa massa cinzenta dentro do seu encéfalo para tomar a decisão certa e assim seguir o caminho que lhe fará desfrutar o ‘nirvana’ da alma HAHAHAHA

Escrevi demais outra vez, eu sei disso e esse foi bem maior do que todos os outros, não é só de amor que eu sei falar e quando eu souber eu aviso.

Até o dicionário?

Alguns anos atrás num momento apaixonado acabei por recortar de um velho dicionário qual era o significado da palavra AMOR.

Amor (substantivo masculino).

1 Atração afetiva ou física. 2 Afeto, carinho, ternura, dedicação. 3 Caso, affair, namoro, aventura amorosa. 4 Ato sexual. 5 demonstração de zelo, apego e fidelidade. 6 Apego a algo que dá prazer, paixão e fascínio.

E é isso que a tempos está grudado na parede de meu quarto, particularmente eu não me recordo ao certo o por que de ter feito isso, realmente, não há nenhuma outra significância, nem se quer uma única frase, com exceção de um folder do The Libertines que trás ‘what became of the likely lads’ de uma noite qualquer que eu não tinha nada para fazer e comecei a recortar fotos de bandas que me agradavam muito (e ainda agradam).

Mas o que dá uma importância maior a esta pequena partícula de papel, é realmente o quanto ela me fez pensar nas últimas horas, em vários metros quadrados decorados com colagens, foi logo este ‘retangulozinho’ insignificante com menos de 15 centímetros de área que me chamou atenção.

Há momentos na vida que nos é necessário observar que há grande importância nas pequenas coisas, que muito mais do que um substantivo o amor pode ser verbo e amar se emprega a qualquer pessoa, seja qual for a idade, raça ou opção sexual, desde que esta se submeta a excessivas doses de carinho a serem dadas e recebidas. É uma doação completa, e se for parcial não tem graça, quando se ama quanto mais se doa mais se tem, esse é o único bem renovável que o ser humano pode se orgulhar em possuir. Afinal o amor nunca acaba, ele se renova todos os dias no sorriso de uma criança, no abraço de uma mãe em seu filho, num beijo apaixonado e com palavras. Vai muito mais além de um caso entre homem e mulher, um namoro ou seja qual for o nome utilizado, são elos que se unem e assim formam uma única corrente que nunca irá se quebrantar. É na junção dessas duas vogais, com essas duas consoantes que se pode atravessar pontes que transcendem a idéia de prazer, fraquezas da carne, medos, anseios e traumas, que sempre são pontos de muita relevância para quem olha de fora. Quem observa vê apenas o externo sem entender o furor que borbulha pelas veias, e dessa vez eu não falo de hormônios! Não mesmo! Eu falo do que enche uma face de sorrisos, muda todo um dia com um simples olhar, um toque que só de ser lembrado nos deixa encabulados, faz nossas bochechas ficarem coradas sem motivos, sim! Eu quero falar do que está guardado secretamente, ou não em algum lugar dentro de você e não pode ser esquecido. Pois não há melhor sensação do que a de borboletas voando no estômago ou até mesmo de olhos que lacrimejam de tanto brilho e felicidade. Afinal de contas todas as vezes que me perguntam, qual o motivo de tanta alegria e um brilho diferenciado, eu posso me orgulhar e encher o peito de ar pra dizer que aprendi a me amar acima de qualquer coisa, me esquecer do que não quero mais lembrar e enfim assumir que na altura do peito e um pouco pra esquerda vive alguém que só me faz bem.

Assim percebo que ter feito essa colagem a tempos atrás não foi em vão e que para tudo há um momento exato de se enxergar, talvez só agora eu seja forte o suficiente para despertar e perceber o que meus olhos teimavam em não enxergar.