Há 221 anos uma sociedade francesa composta por camponeses, baixa burguesia e trabalhadores encontrava-se insatisfeita pela situação política atual. Como forma de mostrar o desagrado resolveu no dia 14 de julho de 1789 fazer uma “rebelião”, que mais tarde ficaria marcado para o resto da história como “A Queda da Bastilha”, e por consequência o início da Revolução Francesa. Com certeza, a monarquia não podia esperar que esta rebeldia feita pelas pessoas que tinham apenas 20% da renda da França (mas que totalizava como 80% da população) poderia resultar na sua queda e tornar-se um pontapé para a liberação do regime absolutista que a Europa se encontrava. Vale lembrar que eles não eram providos de grandes conhecimentos e também não tinham a facilidade e a quantidade de informações resultantes do aumento da globalização. O que os fizeram transformar de forma radical o governo que tinham fora somente o descontentamento da vida que levavam, a noção que do jeito que estavam vivendo não podia continuar da mesma maneira. Provaram que, antes de tudo, não importa o conhecimento intelectual, mas que todos podem lutar por seus direitos, principalmente numa procura de democracia a necessidade de todos devem ser atendidas de forma equilibrada.
Mesmo depois de mais de dois séculos pode-se dizer que os franceses não se acomodaram em se orgulharem apenas dos antepassados, mas que ultimamente eles ainda vêm buscando melhores formas para os seus direitos e lutando por sua democracia. E é o que vem acontecendo desde junho, por todo o país franceses estão fazendo por meio de greves e passeatas seus protestos contra o governo e há várias razões para tal. Nicolas Sarkozy já é conhecido pelo mundo inteiro por suas opiniões xenofóbicas, que descontenta aqueles que querem tirar esta imagem de sua nação e, obviamente, apoiado por outros que apóiam tais medidas.
No momento, as atuais reivindicações foram motivadas pela decisão do presidente de elevar a idade da previdência, passando de 60 para 62 anos, pelos problemas de deportação de emigrantes, além da acusação de corrupção do ministro do Trabalho. Na última terça-feira (6), mais de 2,5 milhões de pessoas foram às ruas por todo o país mostrando os mais variados desagrados que sentem em relação ao seu governo. O resultado? Ontem o Parlamento europeu suspendeu a deportação do povo roma (como são conhecidos os ciganos na França), em um mês mil ciganos foram mandados para Romênia e Bulgária, e decorrente das passeatas o Estado decidiu adiar o caso da previdência, mesmo ainda mantendo-a em vigor.
Por outro lado, basta olharmos pro Brasil nesta atual época de campanha eleitoral, em que tanto o atual Presidente como os presidenciáveis deveriam servir de exemplos pelas ações que fizeram e pelas quais desejam fazer, é praticamente inadmissível que surja um escândalo sobre a quebra de sigilo da Receita Federal. Como um órgão do governo de extrema importância, que até há mês era sinônimo de seriedade, sigilo e segurança para todos os brasileiros, já que uma de suas funções está relacionada com o cuidado da administração federal e, para isso, tem o direito de manter acesso às contas fiscais de todo contribuinte. Igual à todos os outros órgãos, a Receita é um espelho do governo que a administra, portanto se temos este descuido, o que será das outras problemáticas do país?
Novamente estamos presenciando a mesma atuação do Presidente como no caso do mensalão, em 2005. Ele afirma que não é tão sério quanto a mídia divulga e que isso não passa de um sensacionalismo da oposição, como ele mesmo disse no programa eleitoral da Dilma, seu adversário “partiu para a baixaria”. Oras, mas não seria mesmo uma “baixaria” o que está acontecendo? Ao invés do Lula fazer um programa dele, junto com o ministro da Fazenda, divulgando para todos os meios de comunicação o seu parecer, se desculpando e mostrando alguma solução para o ocorrido, assim como todo presidente que se preze faria em respeito às pessoas que o colocaram no patamar mais alto do poder político, ele preferiu lançar um vídeo em defesa de sua candidata que, aliás, não tem voz nem imagem de possível eleita para o cargo, já que não aparece nos debates para nos mostrar quem de fato ela é.
Isto não é um texto anti-petista, mas sim uma reflexão ao que o próprio Presidente da República pediu para que sua nação fizesse: “abrir os olhos”. Pois será que essa quebra de sigilo fora somente com pessoas coligadas ao PSDB, ou há muito tempo infratores vêm invadindo contas fiscais de muitas outras pessoas? Isso é um problema que os eleitores não estão pensando, apenas aceitam o que o “semi-democrático” da Silva diz.
Por isso, às vezes, unir-se e sair às ruas não passe de uma loucura, mas apenas uma forma de demonstrar o que não lhe agrada na atual situação. Tomemos um exemplo a França, não porque ela é um país europeu e vive no primeiro mundo, mas sim porque ela fez uso justo e verdadeiro da democracia, não a exercendo apenas na hora de votar.
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