"Diariamente depois de um árduo horário de trabalho Marisa*, 37 anos, repousa no aconchego de seu sofá e espera para que o mundo lhe seja apresentado pela tela de seu televisor, adquirido com muito esforço graças a boas condições parcelamento. Enquanto prepara o jantar segue a assistir o primeiro folhetim do dia, divide sua atenção entre as cenas, os atores que já são como parte da família, suas novas experiências cotidianas e aos deleites de uma alimentação calórica. Em meio a noticiários, outros folhetins, mais informação e ao grande show de seu descanso, ela se desliga da realidade quando liga o televisor.''
A realidade das famílias brasileiras basicamente em momentos de ócio é retratada dessa maneira, após exaustivas oito horas de trabalho, um lar para cuidar e experiências para dividir, não há quem ouse se entreter com uma programação de qualidade. A abstinência rápida de sua realidade em doses diárias é o calmante da realidade, a programação dirigida a esse público acalma e não alerta suas contra-indicações.
Os canais de televisão aberta são cientes do desejo da sociedade em se abster da realidade e se projetar em novas perspectivas, por isso, investem muito nesse paraíso ilusório. Deixam de lado todo o caráter cultural e educacional que poderia ser veiculado, para ‘entreter’ o público com os velhos chavões que nada possuem de surpreendentes.
Mas isso é um fator muito antigo, que data do começo do século XX, se analisarmos os estudos do filósofo, psicanalista e professor universitário, Renato Mezan com base nas teorias freudianas sobre a cultura e que citam opiniões como a de Adolf Loos, com a qual percebemos que a cultura moderna tem consciência dessa falsidade essencial, mas necessita da superficialidade para manter-se alheia a seus próprios problemas. Como também ocorria em Viena, Itália no final do século XIX, já que todo o foco cultural estava voltado para o teatro de ópera que maquiava a sociedade frívola e antiquada, em relação aos pólos culturais como Berlim e Paris. Para essa sociedade os palcos ditavam ordem e etiqueta, eram tidos como um público exigente que não aceitava se quer ‘’um ator fanhoso ou um violinista desafinado’’. Entretanto, isso só significava uma recusa a imperfeição. Hofmannsthal Broch afirma que essa reação age como um ‘’um espelho mágico, removedor de rugas e cravos, que reenvia ao público uma sua própria imagem transfigurada, como se dissesse a eles que tudo isso não passa de uma mera encenação dramática. ’’ Atualmente essa característica leva o nome de ‘fotoxopização’ da realidade.
Sendo assim, se repararmos a identificação projetiva que os telespectadores tem em relação aos que estão sobre os holofotes, percebemos um desejo incondicional estético pelo ideal do ego, que em transmissões televisivas tomam proporções faladas e visíveis. Desconectados de suas próprias vidas acabam por viver de um primitivo sistema de pão e circo. Esquecem de seus problemas, de sua nação e não lutam por causas plausíveis, mesmo tendo ferramentas de formação em suas mãos, podem criticar, mas não o fazem, preferem continuar sentados e permanecendo com sua realidade editada. Diante de todo um vazio ético, tornasse difícil não ser atingido pelos mísseis midiáticos que são depositados em nossas casas. Não há como fugir! Mas existe a possibilidade de questionar tudo o que não esta correto ao seu ponto de vista, a dualidade da visão do observador pode fazer muita diferença. Que haja mudança e que comece por mim. Se somos capazes de produzir conteúdo virtual, também podemos realizar escolhas melhores.
Com o toque de um botão se pode desmascarar todo a epopéia de uma minoria elitizada. O poder esta em suas mãos!
*nome fictício
Os canais de televisão aberta são cientes do desejo da sociedade em se abster da realidade e se projetar em novas perspectivas, por isso, investem muito nesse paraíso ilusório. Deixam de lado todo o caráter cultural e educacional que poderia ser veiculado, para ‘entreter’ o público com os velhos chavões que nada possuem de surpreendentes.
Mas isso é um fator muito antigo, que data do começo do século XX, se analisarmos os estudos do filósofo, psicanalista e professor universitário, Renato Mezan com base nas teorias freudianas sobre a cultura e que citam opiniões como a de Adolf Loos, com a qual percebemos que a cultura moderna tem consciência dessa falsidade essencial, mas necessita da superficialidade para manter-se alheia a seus próprios problemas. Como também ocorria em Viena, Itália no final do século XIX, já que todo o foco cultural estava voltado para o teatro de ópera que maquiava a sociedade frívola e antiquada, em relação aos pólos culturais como Berlim e Paris. Para essa sociedade os palcos ditavam ordem e etiqueta, eram tidos como um público exigente que não aceitava se quer ‘’um ator fanhoso ou um violinista desafinado’’. Entretanto, isso só significava uma recusa a imperfeição. Hofmannsthal Broch afirma que essa reação age como um ‘’um espelho mágico, removedor de rugas e cravos, que reenvia ao público uma sua própria imagem transfigurada, como se dissesse a eles que tudo isso não passa de uma mera encenação dramática. ’’ Atualmente essa característica leva o nome de ‘fotoxopização’ da realidade.
Sendo assim, se repararmos a identificação projetiva que os telespectadores tem em relação aos que estão sobre os holofotes, percebemos um desejo incondicional estético pelo ideal do ego, que em transmissões televisivas tomam proporções faladas e visíveis. Desconectados de suas próprias vidas acabam por viver de um primitivo sistema de pão e circo. Esquecem de seus problemas, de sua nação e não lutam por causas plausíveis, mesmo tendo ferramentas de formação em suas mãos, podem criticar, mas não o fazem, preferem continuar sentados e permanecendo com sua realidade editada. Diante de todo um vazio ético, tornasse difícil não ser atingido pelos mísseis midiáticos que são depositados em nossas casas. Não há como fugir! Mas existe a possibilidade de questionar tudo o que não esta correto ao seu ponto de vista, a dualidade da visão do observador pode fazer muita diferença. Que haja mudança e que comece por mim. Se somos capazes de produzir conteúdo virtual, também podemos realizar escolhas melhores.
Com o toque de um botão se pode desmascarar todo a epopéia de uma minoria elitizada. O poder esta em suas mãos!
*nome fictício
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