quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cobertura Política, a protagonista das eleições.

Há um número relevante de eleitores que ’escolhem’ seus candidatos sugestionados apenas pelas informações passadas pela propaganda eleitoral, que por sua vez pode ser utópica. Com grandes tramas, passados sofridos, ‘gente como a gente’ que hoje estão no poder, tentam nos ludibriar com promessas num atraente formato conhecido, um ‘folhetim político’. Onde existem protagonistas e antagonistas, já que a imprensa trata a disputa como se existissem apenas três participantes, sendo que o clímax da maioria do conteúdo é realizado pelos dois primeiros colocados dessa lista. Há também a típica mitificação dos mocinhos e vilões, que marcam os novos capítulos dessa história com acusações sua conduta política, moral e ética. Por outro lado, é uma das maneiras de exemplificar o plano de governo que poderá ser exercido. A desvantagem é que os outros cinco presidenciáveis se tornam figurantes de tudo isso, com pouco tempo para difundir sua ideologia e planos, que se tornam desconhecidos ao grande público. A realidade do jogo é a manipulação de dados e a distorção de biografias.

Atualmente os quadros de campanha presidencial são estáveis, José Serra (PSDB) vinha ‘vencendo’ as equilibradas pesquisas de intenção de votos desde meados de 2009 com seus 39%* contra 37%* de Dilma Roussef e 8%* de Marina Silva. Mas há cinco meses vem caindo nas pesquisas, enquanto Dilma que era uma desconhecida do público como ministra da Casa Civil e possuía uma imagem rude, Serra era popular por sua carreira de ex-ministro da saúde e governador, o que nunca o intitulou um‘candidato do povo’, como nosso atual presidente que possui um forte apelo popular. Ao lado da candidata petista Lula ajuda muito a coligação a obter votos, com a ideia de que Dilma será a mãe que o país tanto carece e até ousando dizer que ela é a melhor candidata para a continuação de seus projetos. Algumas revistas e jornais por mais fiéis que tentem ser fazem suas escolhas, mas omitem seu engajamento, entretanto subentendidamente estampam suas preferências, deixando a imparcialidade em segundo plano, como no caso de uma determinada revista que trazia uma foto de Dilma semelhante ao quadro Madona, de Da Vinci.

O trabalhar da imagem de um candidato pode ser algo fundamental, um exemplo a ser citado pelo poder de uma boa veiculação é o caso da candidatura de Fernando Collor, que em 1989 após o regime ditatorial pela primeira vez concedia o direito ao voto popular, o que gerava um entusiasmo formidável. Todos queriam se informar e debater. Collor por sua vez, apesar de jovem já era um veterano político, sua imagem estava ligada ao passado como ‘caçador de marajás’, já que afirmava perseguir funcionários públicos com altos salários, exterminar a corrupção e recusava desperdiçar verbas públicas. Algumas mídias e governantes não poupavam elogios, diziam votar nele por quê essa seria a ‘nova cara do Brasil’. De acordo com o conhecimento histórico, sabemos que nada disso ocorreu que imagem transmitida era incoerente.

Os marqueteiros são figuras indispensáveis contratados pelos partidos para produzir um material convincente, fabricam imagens e conduzem conteúdos. Por isso, devemos procurar meios imparciais e informações com credibilidade, se é que eles existem. Mesmo que visão mais comum seja de que a mídia impressa ou eletrônica são geralmente parciais em suas coberturas e quase sempre favorecem candidatos ligados aos interesses de grupos econômicos dominantes. Uma das melhores ferramentas utilizadas na cobertura é sem dúvidas, a internet que capacita a os eleitores a terem uma visão geral dos acontecimentos e também possibilita um contato com seus projetos, o que consegue retirar ‘figurantes’ do anonimato, como ocorreu com o candidato José Maria Eymael (PSDC), que por dias permaneceu nos ‘Trending Topics’ (assuntos mais comentados) da rede social twitter, a mesma estratégia do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Sendo que Eymael também é um dos pioneiros a criar conteúdos online para sua divulgação.

Contudo devido ao zelo pela imagem e com o uso de novas mídias os números se invertem, Dilma alcança 50%** das expectativas, Serra possui 28%** e Marina obteve um crescimento de 2% alcançando os 10%**. Muitos acreditam que isso ocorre devido à divulgação da quebra de dados sigilosos da Receita Federal de alguns dos familiares do candidato do PSDB, falta de segurança nos dados do Imposto de Renda é que deveria ser o centro do escândalo, com a punição severa para os responsáveis. Mas não parece haver interesse no esclarecimento desses fatos, e sim na repetição contínua de declarações. Porém o diálogo entre o PT e a oposição apresenta característica quase plebiscitária e acaba colocando em segundo plano suas diferenças ideológicas, o que prejudica a avaliação.

Enfim, diante de uma cobertura que não condiz com a devida imparcialidade necessária devemos nos informar o suficiente para votarmos com consciência.

*Fonte: (em 30/06/10) http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=1037 Considera-se a margem de erro é de 2% para mais ou menos.

**idem: ( em 03/09/10)

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