A cada dois anos o país encontra-se na situação de eleger algum candidato político. E para que cada um conquiste seu público uma de suas armas legais é a campanha eleitoral, mas isto não é suficiente para os eleitores realmente saberem quem escolher. Para isso muitos fazem uso das pesquisas eleitorais, que podem ser mais influentes que muitas campanhas ou notícias divulgadas.
A problemática é que dependendo da forma como são empregadas, tanto pela mídia como pelos partidos, podem servir de ajuda para as decisões eleitorais ou atrapalhá-las. Talvez um dos motivos que prejudique suas melhores utilizações esteja relacionado ao fato que muitos confundem suas principais funções. Tal como qualquer outra pesquisa, essas também devem ser vistas como um guia, que exemplifica fatos e opiniões com a finalidade de poder ajudar a esclarecer dúvidas sobre o tema proposto, mas, na verdade, elas são utilizadas como forma de opinião para eleitores, sem antes estudá-las e averiguá-las, já que estas têm seus os seus dados sujeitos à mudanças e podem conter desvios..
Elas só são usadas dessa forma errônea, por causa da credibilidade criada pelos institutos e reforçadas pelos meios de comunicação. As pesquisas de “boca de urna”, feitas no dia da eleição, procuram confirmar as informações que os institutos divulgaram ao longo das campanhas, além de antecipar os resultados das eleições, persistindo no fato de que estão certos. Acreditar que são infalíveis em relação ao que divulgam é benéfico no âmbito da propaganda das instituições como empresas, outro motivo para fazerem uso dessa tática de marketing.
Os meios de comunicação utilizam a imagem conquistada por estes institutos, ambiciosamente, para matérias e manchetes com o objetivo de ganhar audiência e venda de exemplares, fazendo de uma procura de opiniões incertas em uma formulação de resultados concretos. Juntos, os dois supõem precipitadamente que todos os eleitores têm a mesma formação opinativa e o mesmo nível instrutivo. Ou seja, não gera preocupações de que um mesmo resultado gere reações e interpretações diferenciadas em parcelas variadas da população.
Como elos de uma corrente, os problemas criados pela cobertura eleitoral levam a alguns agravantes. Um deles é o aumento da desigualdade entre os candidatos, visto que nesta eleição pouco (ou nada) se ouve falar dos presidenciáveis que não sejam os três primeiros colocados nas intenções de voto. Quantas vezes achou-se na mídia algo sobre os candidatos Zé Maria, Ivan Pinheiro, Rui Costa Pimenta, Eymael ou Levy Fidelix? Com certeza deve ser grande o número de pessoas que creem ter apenas Serra, Dilma e Marina na disputa para Presidente da República. Esses que constituem tal opinião não têm um conhecimento muito abrangente sobre política e, como a maioria dos brasileiros, não se interessam por tal assunto, portanto se apoiam nas pesquisas, uma vez que estas são infalíveis em suas mentes. Um exemplo de que elas podem ser desiguais e, portanto, influenciáveis são as últimas divulgadas pelo Datafolha e pelo IBOPE, que mostram a porcentagem dos três primeiros colocados.
Essas atitudes geram prejuízos aos candidatos que estiverem em desvantagem, antes mesmo de alguma votação ser feita. Além de trazer a vitória precipitada ao melhor qualificado. Por outro lado, os que não recebem tanta atenção, correm risco de perderem partidários, votos e ainda financiadores, que procuram investir em quem tem mais chances. Portanto, gera a desqualificação de um concorrente, cuja reversão não é possível.
Entretanto, as coberturas são de muita valia. Se para os candidatos de menor atenção elas podem se tornar armas contra a sua candidatura, para os que estão na maior disputa pelos votos ela é sinônimo de auxílio. Nos partidos elas são de extrema utilidade para compor as campanhas políticas, unidas às pesquisas qualitativas, favorecem a elaboração de melhores propagandas eleitorais. Afora isso, servem como base para um conhecimento maior dos opositores e fornecem certas informações como argumentos na disputa.
São ainda importantes por comprovarem, por meio dos resultados, uma eleição mais justa e limpa, evitando fraudes políticas. Apesar de poderem agir nos eleitores “volúveis” e/ou naqueles que querem fazer o uso do voto útil, e acabar com a eleição no primeiro turno, são de igual relevância para o exercício da democracia, pois seus defensores consideram que em uma eleição há outros meios de induzir alguém. Mas com as pesquisas isso vai além, informam, tem caráter civilizatório e ainda fazem com que haja reflexão, aumento da criticidade e desconfiança, até mesmo com as suas informações.
As pesquisas eleitorais são como uma faca de dois gumes, pois o que para alguns os fatores podem ser desvantajosos, para outros são benéficos. O que falta ao país é saber interpretá-las, para que elas não nos induza e sim que a induzamos.
Agora eu já invadi.(não adiantaria pedir licença).Acompanho a imprensa diariamente e esta é minha atividade principal e não acreditava na hipótese de jovens brasileiros, com a pouca informação circulante, tirasse conclusão tão incrível, sobre a falta de democracia em nossa imprensa.
ResponderExcluirLúcio Santos - contato@lurosacomunicacao.com.br